Christian Ziegler

🇵🇹

Diversidade a desaparecer

As florestas tropicais são os ecossistemas terrestres mais biodiversos do planeta, abrigando uma diversidade de plantas e animais de tirar o fôlego. Mas estes habitats estão em perigo: a exploração madeireira, a caça, a agricultura, os incêndios florestais, a pecuária, a mineração, a construção de barragens e a exploração petrolífera corroem as florestas tropicais em todos os continentes. Nos últimos 50 anos, derrubámos mais de metade das florestas tropicais do mundo e perseguimos os habitantes até à beira da extinção. Com o meu trabalho, pretendo inspirar as pessoas com a beleza e a complexidade dos ecossistemas tropicais. Quero apresentar estas espécies ameaçadas de extinção – Bonobos, Casuares e Camaleões – para que as pessoas as conheçam intimamente e comecem a preocupar-se com a sua conservação. Aqui apresento histórias de florestas tropicais dos cinco continentes, com imagens do Butão, República Democrática do Congo, Madagáscar, Austrália e Panamá.

🇬🇧

Disappearing Diversity

Tropical forests are the most biodiverse terrestrial ecosystems on the planet; home to a breathtaking diversity of plants and animals. But these habitats are in danger: logging, hunting, agriculture, forest fires, cattle ranching, mining, dam construction and oil exploration eat away at tropical forests on all continents. Over the last 50-years we have cut down over half of the world’s tropical forests and hunted the inhabitants to the brink of extinction. With my work I aim inspire people with the beauty and complexity of tropical ecosystems. I want to introduce people to these endangered species – Bonobos, Cassowaries and Chameleons – so that they know them intimately and begin to care about their conservation. Here I present stories from tropical forests across five continents, with images from Bhutan, Democratic Republic of Congo, Madagascar, Australia and Panama.

🇵🇹

O casuar do sul (Casuarius casuarius) é nativo de Papua Nova Guiné e Queensland, Austrália. Este enorme pássaro sem voo é um importante dispersor de sementes. Mais de 70 das espécies de árvores nativas de Queensland, incluindo o quandong azul (Elaeocarpus grandis) aqui visto, dependem apenas de cassowaries para a dispersão de sementes.

🇬🇧

The southern cassowary (Casuarius casuarius) is native to Papua New Guinea and Queensland, Australia. This huge flightless bird is an important seed disperser. More than 70 of Queensland’s native tree species, including the blue quandong (Elaeocarpus grandis) seen here, depend solely on cassowaries for seed dispersal.

🇵🇹

O morcego-pescador (Noctilio leporinus) tem hábitos alimentares muito especializados: captura de peixes na asa – arrancando-os da água com as suas longas garras, Lago Gatún, Panamá.

🇬🇧

The greater bulldog bat (Noctilio leporinus) has very specialized feeding habits: it catches fish on the wing – pulling them from the water with its long claws, Gatún Lake, Panama.

🇵🇹

A família das orquídeas é a maior família de plantas com cerca de 28000 a 32000 espécies, e todas as espécies têm polinizadores altamente especializados, incluindo abelhas orquídeas (como a que se vê aqui), aves, besouros, formigas e moscas. Estas interacções altamente especializadas têm evoluído para garantir a polinização e a reprodução futura.

🇬🇧

The orchid family is the largest plant family with some 28000 to 32000 species, and all species have highly specialized pollinators, including orchid bees (like the one seen here), birds, beetles, ants, and flies. These highly specialized interactions have evolved to guarantee pollination and future reproduction.

🇵🇹

Conheça o kinkajou (Potos flavus), o rei da copa das árvores na América Central. À noite, os kinkajous são os animais dominantes na Balsa (Ochroma pyramidale) e expulsam todos da copa para que possam ter o néctar para si próprios. Cada flor pode conter até 55 ml de néctar.

🇬🇧

Meet the kinkajou (Potos flavus), the king of the tree crown in Central America. At night, kinkajous are the dominant animals in the Balsa tree (Ochroma pyramidale) and chase everybody out of the canopy so they can have the nectar to themselves. Each flower can hold up to 55 ml of nectar.

🇵🇹

No início da noite, um gambá lanoso (Caluromys derbianus) vem beber néctar da enorme flor da árvore da balsa (Ochroma pyramidale), Panamá.

🇬🇧

In the early evening, a woolly opossum (Caluromys derbianus) comes to drink nectar from the huge flower of the balsa tree (Ochroma pyramidale), Panama.

🇵🇹

A casuar consome uma grande diversidade de fruta – aqui está uma selecção das florestas do Norte de Queensland, Austrália.

🇬🇧

Cassowaries consume a great diversity of fruit—here is a selection from the forests of North Queensland, Australia.

🇵🇹

Consegui fotografar este bonobo de 4 anos, quando ele apareceu diante de mim na floresta, totalmente inesperadamente. Ele foi embora novamente em segundos.

🇬🇧

I managed to catch this 4-year-old bonobo, when he appeared in front of me in the forest, totally unexpectedly. He was gone again in seconds.

🇵🇹

As mãos dos bonobos são tão semelhantes às nossas – partilhamos mais de 98% do nosso ADN com os bonobos.

🇬🇧

The hands of bonobos are so similar to our own—we share over 98 percent of our DNA with bonobos.

🇵🇹

Uma fêmea Calumma ambreense que procura insectos com língua extensível. Montagne d’Ambre, Madagáscar é o único lugar na terra onde este camaleão é encontrado, em uma área de 30 km2 de floresta. Mais de 90% do habitat florestal em Madagáscar foi destruído e, consequentemente, a maioria das espécies de camaleões endémicas de Madagáscar encontra-se em grave perigo de extinção.

🇬🇧

A Calumma ambreense female foraging for insects with extendable tongue. Montagne d’Ambre, Madagascar is the only place on earth where this chameleon is found, in a 30km2 patch of forest. More the 90% of forest habitat in Madagascar has been destroyed and consequently the majority of Madagascar’s endemic chameleon species are in grave danger of extinction.

🇵🇹

O magnífico beija-flor poliniza a flor de uma orquídea Eleanthus sp. na floresta de nuvens no oeste do Panamá. Pode observar o pacote de pólen roxo na ponta do seu bico.

🇬🇧

The Magnificent Hummingbird pollinates the flower of an Eleanthus sp. orchid in the cloud forest in western Panama. You can observe the purple pollen packet on the tip of his beak.

🇵🇹

Um camaleão juvenil de duas bandas (Furcifer balteatus) percorre uma paisagem recentemente queimada. Os incêndios – especialmente os artificiais – são muitas vezes mortais para os camaleões, uma vez que não conseguem mover-se suficientemente depressa para escapar.

🇬🇧

A juvenile two-banded chameleon (Furcifer balteatus) walks through a recently burned landscape. Fires—especially artificial ones—are often deadly for chameleons, since they can’t move fast enough to escape them.

🇵🇹

Um panda vermelho (Ailurus fulgens) marca o seu território na floresta de bambu a 3500m de altitude. Os pandas vermelhos estão ameaçados em toda a sua área de distribuição devido à perda de habitat e à caça furtiva, mas o Butão é um porto seguro para esta espécie.

🇬🇧

A red panda (Ailurus fulgens) marks its territory in high altitude bamboo forest at 3500m. Red Pandas are threatened across their range due to habitat loss and poaching but Bhutan is a safe haven for this species.

Eduardo Leal

🇵🇹

A Ascensão das Cholitas

Há pouco mais de 10 anos, mulheres nativas da Bolívia – Aymara e Quechua – eram sistematicamente marginalizadas. Conhecidas como cholitas (um termo inicialmente depreciativo que os membros das comunidades indígenas reapropriaram e agora vestem com orgulho), facilmente reconhecidas pelas suas largas saias, cabelos trançados e chapéus de coco, eram proibidas, entre outras coisas, de usar alguns meios de transportes ou de entrar em espaços públicos. As oportunidades de trabalho eram poucas, com a maioria a servir as classes média e alta como empregadas domésticas ou a trabalhar como vendedoras de rua.

Embora estas mulheres se tenham organizado e defendido os seus direitos desde da década de 1960, o movimento reafirmou-se com a eleição de Evo Morales, em 2006, o primeiro presidente indígena da Bolívia. Esse momento histórico assinala, também, um crescimento no orgulho de identidade entre muitas cholitas, de afirmação dos seus direitos, no espaço da sociedade boliviana.

Ao retratar os feitos destas mulheres, dão-se a conhecer as suas vitórias. Esperando assim contribuir para inspirar outras mulheres, que, na Bolívia e no mundo, sofrem diariamente com a discriminação e falta de oportunidades.

🇬🇧

Cholita’s Rise

As little as 10 years ago indigenous Aymara and Quechua women were socially invisible and seriously marginalised, banned even from entering certain restaurants or riding in taxis; their job opportunities limited to cleaning and au pairing for rich families, or selling at roadside stalls. Known as Cholitas, a once derogatory pejorative, they were marked out by their traditional indigenous dress: the wide skirt, bright jewellery and perky bowler hat seen as a mark of poverty.

The election of the first indigenous president Evo Morales began a remarkable process of change for these women, who are now starting to find pride in their traditional identity and to make inroads into Bolivian power structures: today we can see Cholitas business women, models, members of parliament, fashion designers, teachers and TV presenters. It’s an undeniable success story but it is by no means complete. There are still significant issues to be faced around gender equality, domestic violence and access to education and opportunity in the country. Domestic violence in particular is a deep-rooted problem for Bolivia, a country that sees the highest levels of violence against women in South America, according to a 2013 Pan-American Health Organization (PAHO) study.

Portraying their accomplishments not only is a away to celebrate and highlight their success but also a way to motivate and inspire others to follow their path not only in Bolivia but also in other countries around the world where women suffer the same discrimination and unequal opportunities that the indigenous women of Bolivia once had and in many cases still do.

🇵🇹

Bertha Acarapi olha para cidade de La Paz desde do quintal dos estúdios de televisão ATB em El Alto. Bertha é uma jornalista da rede nacional de televisão ATB. A oportunidade para trabalhar num órgão de comunicação apareceu depois de ter ganho o concurso de Miss El Alto, sendo a segunda mulher indígena a trabalhar em televisão na Bolívia. Bertha tem um mestrado em Administração Pública e serviu, de 2000 a 2005, como vereadora para o município de El Alto.

🇬🇧

Television studios in El Alto. Bertha is a journalist for the national television network ATB. She was the second indigenous woman ever to work in television in Bolivia. The opportunity to work in media came after she won a pageant contest in the city of El Alto. Bertha has a Master’s degree and served from 2000 to 2005 as alderwoman for the El Alto municipality.

🇵🇹

Deputada Cristina Paxi na Assembleia Legislativa em La Paz. Depois de ter ouvido inúmeras vezes que as mulheres não poderiam ser eleitas para cargos políticos, Cristina decidiu provar que era possível. Candidatou-se a um lugar na Assembleia Legislativa em 2014 e ganhou. Hoje, mais de metade dos membros da Assembleia Legislativa são mulheres, o que torna a Bolivia no segundo país do mundo com mais representantes femininas na Assembleia depois do Ruanda.

🇬🇧

Congresswoman Cristina Paxi at the Plurinational Legislative Assembly in La Paz. After hearing countless times that women couldn’t be elected to high office, Paxi decided to prove that they could. She ran for a seat in the Legislative Assembly’s Chamber of Deputies in 2014 and won. In truth, more than half of the Legislative Assembly’s members are women, a proportion which is second only to Rwanda.

🇵🇹

Sonia Siñani entrevista o Sr. Ajacopa (chefe da Província de Ingavi) durante o Congresso Indígena Tupac Katari, em El Alto. Sonia é uma jornalista de rádio e televisão. Os seus programas são em Aymara, um dos idiomas nativos na Bolívia. A utilização do idioma, é uma forma de promover a cultura indígena, que, segundo Sonia, corre o risco de extinção.

🇬🇧

Sonia Sinani interviews Mr. Ajacopa, who was chief of the Ingavi Province during the Tupac Katari Indigenous Congress in El Alto. Sonia is a television and radio journalist. Her programs are entirely in Aymara, one of Bolivia’s indigenous languages, and they seek to elevate and celebrate Aymara culture—both of which, she says, are in danger of fading into extinction.

🇵🇹

Bertha Acarapi durante o noticiário do canal televisivo ATB em La Paz. Bertha foi a segunda cholita a trabalhar em televisão na Bolívia, seguindo as pisadas de Remedios Loza. A oportunidade de trabalhar num órgão de comunicação apareceu depois de ter ganho o concurso de Miss El Alto. Bertha tem um mestrado em Administração Pública e serviu, de 2000 a 2005, como vereadora para o município de El Alto. Bertha defende que as mulheres bolivianas deveriam conhecer melhor os seus direitos, por isso trabalha no desenvolvimento da consciência cívica daquelas.

🇬🇧

Bertha Acarapi during the news broadcast at ATB Television studios in La Paz. Bertha was the second cholita woman to work in television in Bolivia, following the trail blazed by Remedios Loza. The opportunity to work in the media came after she won the Cholita Altena, a pageant contest in the city of El Alto. Bertha has a Master’s in public management and from 2000-2005 she served as alderwoman for the El Alto municipality. Bertha believes that the women of Bolivia don’t know about their rights, and she supports some kind of campaign to raise public awareness.

🇵🇹

Celia Laura numa sala de aulas da Escola Privada de San Calixto em La Paz. Desde 2013, os alunos na Bolívia têm de aprender Espanhol, Inglês, e um dos idiomas nativos – como Aymara ou Quechua. Celia, que ensina Aymara, foi a primeira mulher indígena do país a tornar-se professora numa escola privada. Houve um tempo em que o costume impedia as cholitas de entrar na escola se usassem roupas tradicionais. Para frequentarem as aulas usavam roupas menos indígenas.

🇬🇧

Celia Laura in her classroom at San Calixto Private School, La Paz. Since 2013, students in Bolivia have had to learn Spanish, English, and one of the native languages—such as Aymara or Quechua. Professor Laura, who teaches Aymara, was the first indigenous woman in the country to become a teacher in a private school. There was once a time when cholitas were not allowed to study in schools unless they swapped their traditional clothing for Westernized garb.

🇵🇹

Sara Mamani ao volante do autocarro que conduz diáriamente pelas ruas da capital boliviana. Sara é a segunda cholita a conduzir um autocarro em La Paz. Começou por conduzir pequenas carrinhas de passageiros para sustentar os filhos após o divórcio. Sara gosta tanto de conduzir veículos pesados que sonha em tornar-se conductora de camiões internacionais. Está à espera que os filhos cresçam para poder seguir o seu sonho.

🇬🇧

Sara Mamani on the wheel of the bus that she drives daily through the streets of La Paz. Sara is the second cholita to ever drive a bus in La Paz. She started to drive first small vans with passengers as a way to make money to feed her children after the separation from her partner, then she went to drive bigger buses. Sara loves it so much that wishes to become an international truck driver; she is just waiting for her children to grow up so she can follow her dream.

🇵🇹

Reyna Torres agarra Silvina La Poderosa num movimento rotativo durante uma luta para promover o desporto em Senkata, El Alto. Após anos de fraca assistência a participação de mulheres indígenas no desporto recuperou o interesse do público, Desde então, o desporto ganhou uma popularidade inesperada. A luta livre entre cholitas é hoje um dos produtos mais procurados pelos turistas em La Paz.

🇬🇧

Silvina La Poderosa jumps from a corner of the ring to land on her opponent, Reyna Torres, during a promotional fight in Senkata, El Alto. After years of dwindling audiences, and in an attempt to revive public interest, wrestling finally allowed indigenous women to participate. The sport’s popularity has since rebounded considerably.

🇵🇹

Mulheres indígenas preparam-se nos bastidores antes de um desfile de passarela em El Alto.

🇬🇧

Cholitas prepare themselves backstage before ascending the catwalk at a fashion show in El Alto. 

🇵🇹

Uma cholita lê um livro ao lado de um quiosque durante a marcha do Dia Internacional da Mulher em La Paz. Não obstante a ascensão social e económica das mulheres bolivianas na última década, a desigualdade – em especial entre as mulheres indígenas – persiste. Violência doméstica e dificuldades no acesso à educação são problemas que subsistem.

🇬🇧

A cholita reads a book next to a newsstand during an International Women Day march in La Paz. Despite all the progress women have made over the last decade, the fact remains that women—and especially indigenous women—are far from equal in Bolivian society. Issues like domestic violence and access to education are still major problems that will require further investment and dedication from Bolivia’s government as well as from society at large.

🇵🇹

Estela Loyaza, uma polícia de trânsito municipal, durante o trabalho numa rua de El Alto. O reconhecimento público por representar as cholitas num trabalho tão importante como difícil é um motivo de orgulho. Estela tenciona matricular-se na universidade mas por enquanto continuará como polícia de trânsito.

Desde 2013, o municipio de El Alto contrata cholitas para controlar o transito caótico da cidade. 

🇬🇧

Estela Loyaza, an El Alto traffic warden, at work. Estela loves her job and especially appreciates when people congratulate her for representing cholitas in such an important and demanding job. While she plans to enroll in a university one day, she plans to keep working as a traffic warden for the foreseeable future. 

Since 2013, the municipality government has been hiring cholitas to control the chaotic traffic of the city. 

Krystle Wright

🇵🇹

Até aos Confins da Terra

🇬🇧

To The Ends Of The Earth

🇵🇹

À medida que o sol desaparece atrás das montanhas dramáticas que cercam o Lemaire Channel, uma luz refratária projeta um brilho sutil sobre a Península Antártica.

🇬🇧

As the sun disappears behind the dramatic mountains surrounding the Lemaire Channel, a refracted light casts a subtle glow over the Antarctic Peninsula.

🇵🇹

Uma lua cheia surge acima de um iceberg nas profundezas do Crystal Sound na Península Antártica.

🇬🇧

A full moon arises above an iceberg in the depths of Crystal Sound on the Antarctic Peninsula.

🇵🇹

Aparecendo das profundezas de um whiteout em Sam Ford Fjord na Ilha Baffin, um Nunatsiarmiut (inuíte nativo de Baffin) conduz o seu cão trenó em condições climáticas caóticas.

🇬🇧

Appearing from the depths of a whiteout in Sam Ford Fjord on Baffin Island, a Nunatsiarmiut (Inuit native to Baffin) leads his dog sled in the chaotic weather conditions.

🇵🇹

Michael Tomchek cai livre por um segundo durante um salto BASE da Castleton Tower em Moab, Utah.

🇬🇧

Michael Tomchek freefalls for a split second during a BASE jump off Castleton Tower in Moab, Utah.

🇵🇹

A Torre, a mais de 300m, no Pilar do Cabo, na Península da Tasmânia, Austrália, é conhecida como a falésia marítima mais alta do hemisfério sul, o que fez com que Ryan Robinson desfrutasse de uma montanha perfeita.

🇬🇧

Towering at over 300m, Cape Pillar on the Tasman Peninsual in Tasmania, Australia, is recognized as the tallest sea cliffs in the southern hemisphere which made for the perfect highline for Ryan Robinson to enjoy

🇵🇹

À beira da escuridão, o caiaque Rush Sturges lança-se em Spirit Falls no Little White Salmon River em Washington, EUA.

🇬🇧

On the brink of darkness, kayaker Rush Sturges launches off Spirit Falls on the Little White Salmon River in Washington, USA.

🇵🇹

Acima do círculo do Ártico, o mergulhador Kimi Werner nada ao longo de Orcas submersas nas águas geladas de Skjervøy, na Noruega.

🇬🇧

Above the Arctic circle, freediver Kimi Werner swims alongside Orcas submerged in the icy waters of Skjervøy in Norway.

🇵🇹

Freediver Yoram Zekri nada em direção à superfície em Matavulu Hole, no Espírito Santo, Vanuatu.

🇬🇧

Freediver Yoram Zekri swims towards the surface in Matavulu Hole in Espiritu Santo, Vanuatu

🇵🇹

Incêndios recentes provocados pelo Homem devastaram a região noroeste da floresta tropical de Tarkine, na Tasmânia, Austrália, deixando uma árvore solitária surpreendentemente não afectada

🇬🇧

Recent man-made fires ravaged the North West region of the Tarkine Rainforest in Tasmania, Australia, leaving a lone tree surprisingly unaffected.

🇵🇹

A combinação da formação discreta e da forte rotação das supercélulas de tempestades permite uma aparência dramática que pode ser descrita como nuvens “maternas”, como visto aqui no Imperial, Nebraska, EUA.

🇬🇧

The combination of the discrete formation and strong rotation of supercell thunderstorms allows for a dramatic appearance that can be described as “mothership” clouds as seen here over Imperial, Nebraska USA.

Veronique de Viguerie

🇵🇹

Iémen, A Guerra Escondida

Desde 2006, o Iémen tem consistentemente ocupado a última posição no Índice de Hiato de Género do Fórum Económico Mundial, tornando-o o pior país a viver como mulher. A guerra civil de três anos, entre Rebel Houthis, o governo exilado e uma coligação apoiada pela Arábia Saudita, só piorou as coisas.

E, no entanto, em meio à morte e privação desta guerra, as mulheres estão assumindo papéis sociais que antes eram dominados por homens. À medida que mais homens são recrutados, feridos ou mortos, mais mulheres são: Os Únicos Provedores de Suas Famílias; Praticando Medicina; Matriculados na Escola; Vendendo Mercadorias; E Assumindo Papéis Políticos e Ativistas.a Guerra, em sua forma perversa, está mudando o papel das mulheres na sociedade iemenita. Eu vi isso em uma viagem de várias semanas para o Iêmen, em território controlado por Houthi.

🇬🇧

Yemen, The Hidden War

Since 2006, Yemen Has Consistently Ranked Last In The World Economic Forum’s Gender Gap Index, Making It The Worst Country To Live As A Woman. The Three-year Civil War, Between Rebel Houthis, The Exiled Government, And A Saudi-backed Coalition, Has Only Made Things Worse.

And Yet, Amid The Death And Deprivation Of This War, Women Are Assuming Societal Roles That Were Previously Dominated By Men. As More Men Are Conscripted, Wounded Or Killed, More Women Are: The Sole Providers For Their Families; Practicing Medicine; Enrolled In School; Selling Goods; And Assuming Political And Activist Roles.the War, In Its Perverse Way, Is Changing The Role Of Women In Yemeni Society. I Saw This On A Multiweek Reporting Trip To Yemen, In Houthi-controlled Territory.

🇵🇹

Mercado de Qat em Sanaa. Ao meio-dia Yemenis homem começa a mastigar Qat, algumas folhas supostamente para fazê-lo sentir bem.

🇬🇧

Qat market in Sanaa. At noon Yemenis man start chewing Qat, some leaves supposed to make you high.

🇵🇹

Uma mulher está a fazer próteses no centro de fisioterapia de Sanaa. Existem mais de 6000 amputados pela guerra no país.

🇬🇧

A woman is making prothesis in the Physiotherapist cnetre of Sanaa. There are more than 6000 war amputees in the country

🇵🇹

Ahmed Sagaf, que declara ter 18 anos para se alistar no exército (apesar dos seus companheiros nos dizerem que tem apenas 13 anos), pisou uma mina terrestre enquanto lutava na linha da frente. No centro de membros protéticos em Sanaa, está a aprender a andar com a sua nova prótese. Mal pode esperar para voltar à linha da frente para lutar.

🇬🇧

Ahmed Sagaf who declares to be 18-years-old to join the army (eventhough his camarades told us he is only 13 years old) stepped on a landmine as he was fighting on the frontline. At the prothestic limb centre in Sanaa, he is learning how to walk with his new prothesis. He cannot wait to go back to the frontline to fight.

🇵🇹

O bairro de Rahban, classificado como património mundial da UNESCO, foi fortemente destruído por ataques aéreos.

🇬🇧

The Rahban quarter, classified as UNESCO mondial heritage, heavily destroyed by airstrikes.

🇵🇹

Uma mulher está a fugir com a sua mala Saada. A cidade, reduto de houthi, foi declarada zona de guerra e é muito frequentemente alvo de ataques aéreos letais.

🇬🇧

A woman is fleeing with her suitcase Saada. The city, houthi stronghold, was declared war zone and it’s targeted very often by lethal airstrikes

🇵🇹

No Iémen, uma criança morre a cada 10 minutos de uma doença muito facilmente curável.

🇬🇧

In Yemen, a child dies every 10 minutes of a very easily curable sickness.

🇵🇹

Devido à guerra e aos ataques aéreos, muitos camponeses tiveram de abandonar os seus campos, animais e abrigo na cidade. Mas não têm dinheiro, por isso não têm outra escolha senão mendigar.

🇬🇧

Because of the war and the airstrikes, many peasants had to leave their fields, animals and shelter in the city. But they have no revenue, so they have no choice but to beg

🇵🇹

Crianças deslocadas dormem nas ruas de Ibb.

🇬🇧

Displaced children are sleeping in the streets in Ibb.

🇵🇹

Mitiamen dançam com sua AK47 e sua adaga Jambiya nas ruas de Ibb.

🇬🇧

Mitiamen are dansing with their AK47 and their dagger Jambiya in Ibb streets.

🇵🇹

As raparigas estão em desvantagem em relação aos rapazes nas TI, Ciências, Universidades de Direito. Prontas para desempenhar um papel na sociedade tradicional iemenita. Meninas recém-formadas estão comemorando em um restaurante em Sanaa.

🇬🇧

Girls are outnumbering boys in IT, Sciences, Law universities. Ready to have a playing role in Yemeni traditional society. Newly graduated girls are celebrating in a restaurant in Sanaa.

Jennifer Adler

🇵🇹

Praias, palmeiras, laranjeiras e Disney – todas associações comuns com a Florida. As casas de repouso e os furacões também podem fazer parte da lista. Mas se olharmos para além dos parques de diversões e das praias, a Flórida selvagem ainda existe. Embora muitas vezes permaneça fora de vista, fora de espírito, o Aquífero da Florida está subjacente a quase todo o Estado. Esta água subterrânea fornece água doce a mais de 90% dos Floridianos e é visível à superfície em mais de 1.000 nascentes de água doce. A maior parte destas nascentes está concentrada no norte da Florida, as suas águas cristalinas e límpidas atraem nadadores, tubérculos e remadores durante os meses de Verão, que são muito quentes. No entanto, muitos floridianos passarão toda a sua vida sem nadar numa nascente e muito menos nos túneis sinuosos do aquífero calcário sob os seus pés. Eles sentem falta de ver, e de se ligar à fonte natural da sua água doce, vendo-a em vez disso como algo que flui interminavelmente das torneiras e mangueiras do jardim.

Durante os últimos 7 anos, estudei e documentei as nascentes através da fotografia. Estas fotografias podem ajudar a ligar as pessoas à sua água doce frequentemente esquecida e contar histórias que mostram que estes lugares não só são a fonte natural do nosso recurso mais vital como também ecossistemas incríveis que vale a pena proteger. Por baixo da superfície nadam vestimentas pré- históricas e peixe-manatim tipo sereia. Na bacia do rio Santa Fé, no norte da Florida, habitam 14 espécies nativas de tartarugas de água doce, o mesmo número que toda a bacia do Amazonas – uma área 2.000 vezes maior do que a sua dimensão.

Mas as nascentes estão a mudar rapidamente. Muitas

nascentes que outrora estavam cheias de vegetação nativa exuberante estão agora sufocadas numa espessa camada de algas. Os caudais estão a diminuir. Piscinas estagnadas e escuras substituíram muitas das bacias outrora cintilantes de águas claras. Como a maioria dos problemas ecológicos, é inerentemente complexo – as pessoas querem uma solução simples, à prova de bala para salvar as nascentes, mas os problemas envolvem o fluxo de água, oxigénio dissolvido, nutrientes, a química do solo, a alteração da pluviosidade, o desenvolvimento, a alteração do uso do solo e até mesmo furacões.

Talvez a forma mais eficaz de avançar seja repensar a nossa relação com a água. Tem de se tornar algo que valorizamos, amamos e protegemos. Convido- vos a mergulhar no mundo escondido da água doce da Florida. Enquanto explora, pergunte-se: qual é a fonte natural da sua água doce?

🇬🇧

Beaches, palm trees, oranges, and Disney—all common associations with Florida. Retirement homes and hurricanes may make the list too. But if we look past the amusement parks, sandy beaches, and subdivisions, wild Florida still exists. Although it often remains out of sight, out of mind, the Floridan Aquifer underlies almost the entire state. This groundwater supplies freshwater to more than 90% of Floridians and is visible at the surface at more than 1,000 freshwater springs. Most of these springs are concentrated in north Florida, their crisp, gin clear waters attracting swimmers, tubers, and paddlers during the sweltering summer months. Yet many Floridians will go their entire lives without swimming in a spring, let alone the winding tunnels of the limestone aquifer beneath their feet. They miss seeing, and connecting with, the natural source of their freshwater, seeing it instead as something that flows endlessly from faucets and garden hoses.

For the past 7 years, I have studied and documented the springs through photography. These photographs can help connect people to their often forgotten freshwater and tell stories that show that these places as not only the natural source of our most vital resource but also incredible ecosystems worth protecting. Beneath the surface swim prehistoric gar and mermaid-like manatees. North Florida’s Santa Fe River basin is home to 14 native freshwater turtle species, the same number as the entire Amazon basin —an area 2,000 times its size.

But the springs are rapidly changing. Many springs that were once full of lush, native vegetation are now smothered in a thick layer of algae. Flows are declining. Stagnant, dark pools have replaced many of the once-shimmering basins of air clear water. Like most ecological problems, it is inherently complex—people want a simple fix, a bulletproof solution to save the springs, but the problems involve water flow, dissolved oxygen, nutrients, the chemistry of the soil, changing rainfall, development, land use change, and even hurricanes.

Perhaps the most effective way forward is connection—

rethinking our relationship with water. It needs to become something we value, love, and protect. I invite you to immerse yourself in Florida’s hidden freshwater world. As you explore, ask yourself: what is the natural source of your freshwater?

🇵🇹

Um mergulhador de caverna nada nas passagens sinuosas de calcário do aquífero. Esta imagem é um pedaço de uma fotografia subaquática 360 que tirei no sistema Devil’s Cave. Cada fotografia 360 ou “photosphere” é composta por cerca de 8 a 10 imagens. As cavernas são escuras e cada imagem individual é iluminada com um máximo de 12 luzes. Para fazer uma visita virtual ao aquífero, visite o site do Walking on Water em https:// walkingonwaterfl.org.

🇬🇧

A cave diver swims through the winding limestone passageways of the aquifer. This image is a piece of a 360 underwater photograph I shot in the Devil’s Cave system. Each 360 photograph or “photosphere” is made up of about 8 to 10 images stitched together. The caves are pitch dark and each individual image is lit with up to 12 lights. To view a virtual tour of the aquifer, visit the Walking on Water website at https://walkingonwaterfl.org.

🇵🇹

Um rapaz espreita debaixo da superfície enquanto os colegas olham para baixo do passadiço por cima. Os alunos visitaram a Blue Spring na Florida como parte do programa Walking on Water. Este programa de educação ambiental imersiva liga a próxima geração de floridianos à sua água potável através da fotografia subaquática. A maioria dos alunos nunca viu uma nascente.

🇬🇧

A boy peers beneath the surface as classmates look down from the boardwalk overhead. Students visited Blue Spring in Florida as part of the Walking on Water program. This immersive environmental education program connects the next generation of Floridians to their drinking water through underwater photography. Most students have never seen a spring.

🇵🇹

Esta fotografia e a de cima foram tiradas no mesmo local com exactamente um ano de diferença. Os prados de ervas nativas de cima foram substituídos por algas após o Furacão Irma em 2017. As águas escuras do rio Santa Fe cobriram a nascente clara durante a inundação do furacão, bloqueando o sol para a fotossíntese. As exuberantes ervas nativas morreram e as algas foram as primeiras a recolonizar. Voltei a monitorizar estes mesmos locais durante 6 anos e já passou mais um ano desde esta segunda fotografia. As ervas ainda não voltaram.

🇬🇧

This photo and the photo above were taken in the same spot exactly one year apart. The flowing meadows of native grasses above were replaced by algae following Hurricane Irma in 2017. Dark waters from the Santa Fe River covered the clear spring during hurricane flooding, blocking sun for photosynthesis. The lush, native grasses died and algae was first to re-colonize. I have been returning to monitor these same sites for 6 years and another year has already passed since this second photo. The grasses have still not returned.

🇵🇹

Há movimento nas águas turvas. Uma forma escura começa a tomar forma ao longe, aproximando-se, aproximando-se, aproximando-se… Percebo que tenho sustido a respiração, à espera que não seja um jacaré. Pairo congelada quando se aproxima, tão perto que o seu nariz bate levemente na cúpula da minha câmara. Olhou para mim, ou talvez o seu reflexo no vidro, antes de se afastar com as barbatanas da sua cauda em forma de sereia.

🇬🇧

There is movement in the murky waters. A dark form begins to take shape in the distance, moving closer, closer, closer… I realize I have been holding my breath, hoping it’s not an alligator. I hover frozen as she approaches, so close that her nose lightly bumps the dome of my camera. She stared at me, or perhaps her reflection in the glass, before meandering away with mermaid-like flaps of her tail.

🇵🇹

O corante laranja entra em erupção na água de nascente com ar limpo. O corante, chamado Rhodamine WT, é um corante fluorescente não tóxico utilizado como marcador. Após a libertação do corante, os cientistas medem a sua concentração a jusante, o que os ajuda a compreender como a água se move e se mistura à medida que corre a jusante da nascente. Aqui, o hidrólogo Nathan Reaver mergulha numa nuvem do corante ao pôr-do- sol em Silver Spring, durante um estudo que realizou em Dezembro último.

🇬🇧

Orange dye erupts in the air-clear spring water. The dye, called Rhodamine WT, is a non-toxic fluorescent dye used as a tracer. After the dye is released, scientists measure its concentration downstream, which helps them understand how the water moves and mixes as it flows downstream from the spring. Here, hydrologist Nathan Reaver dives into a cloud of the dye at sunset in Silver Spring during a study he conducted last December.

🇵🇹

As tartarugas almíscar (Sternotherus minor) são enigmáticas, no entanto, se se afastar lentamente do rio, verá os seus olhinhos amarelos a espreitarem para fora das ervas oscilantes do rio. Em tamanho real, têm apenas cerca de 7 a 11 centímetros de comprimento e usam mandíbulas potentes para morder os pequenos caracóis.

🇬🇧

Loggerhead musk turtles (Sternotherus minor) are cryptic, yet if you drift slowly out the river, you will spot their little yellow eyes peeking out of the swaying river grasses. At full size, they are only about 7 to 11 centimeters long and they use powerful jaws to munch on small snails.

🇵🇹

Um trio de peixes-boi cavalgam na corrente de um pequeno rio alimentado pela Primavera durante o Inverno. As temperaturas no norte da Florida descem abaixo dos 0 graus Celsius durante o Inverno, mas a água permanece a 22 graus durante todo o ano. Os peixes-boi não têm uma verdadeira camada de gordura como as focas e as baleias, pelo que procuram águas quentes quando a temperatura do oceano desce. Algumas nascentes são frequentadas por centenas de peixes-boi durante os meses frios de Inverno.

🇬🇧

A trio of manatees rides the current of a small, spring-fed river in the winter. Temperatures in north Florida dip below 0 degrees Celsius in the winter, but the water remains 22 degrees year-round. Manatees lack a true blubber layer like seals and whales, so they seek warm waters when the ocean temperature drops. Some springs are frequented by hundreds of manatees during the chilly winter months.

🇵🇹

Voo na água doce da Florida.

🇬🇧

Flight in Florida’s freshwater.

🇵🇹

Um investigador liberta uma jovem tartaruga (Pseudemys concinna suwanniensis) para o rio Ichetucknee. Os cientistas do Projecto Tartaruga de Santa Fe monitorizam as populações de tartarugas nesta área desde 2004. O rio Ichetucknee é o último habitat saudável que resta para estas tartarugas.

🇬🇧

A researcher releases a juvenile Suwannee cooter (Pseudemys concinna suwanniensis) into the Ichetucknee River. Scientists with the Santa Fe Turtle Project have monitored turtle populations in this area since 2004. The Ichetucknee River is the last remaining healthy habitat for these turtles.

🇵🇹

A luz do sol corre através de um buraco intermitente na lentilha-de- água que cobre a superfície de um lago tranquilo no norte da Florida.

🇬🇧

Sunshine streams through an intermittent hole in the duckweed that blankets the surface of a quiet sinkhole in north Florida.

Matthieu Paley

🇵🇹

Homem & comida, a oriqem é uma viagem global que explora a relação entre os ambientes e as dietas ancestrais tradicionais de várias comunidades auto-suficientes. A alimentação – muitas vezes difícil de atingir – define todos os aspectos das suas vidas. Depenados. Lavados. Fatiados. Salgados. Conservados e cozinhados. Estas imagens documentam os cuidadosos processos através dos quais estas comunidades adquirem alimentos, o que as sustenta e como o ambiente molda os seus estilos de vida.

A relação triangular entre o homem, a natureza e os alimentos é um fio condutor comum a cada uma destas histórias. Dos Inuit da Gronelândia aos Bajau da Malásia, estas imagens alertam-nos para a ligação directa entre o que comemos, o nosso bem-estar e a preservação do nosso mundo. Matthieu está sediado no Parque Nacional da Arrábida, Portugal.

🇬🇧

Man & Food, the Origins is a global journey exploring the relationship between environments and the traditional ancestral diets of several self-sufficient communities. Food – often arduous to attain – defines every aspect of their lives. Plucked. Washed. Sliced. Salted. Preserved and cooked. These images document the painstaking processes by which these communities acquire food, what sustains them and how the environment shapes their lifestyles. The triangular relationship between man, nature and food is a common thread woven through each of these stories. From the Inuit of Greenland to the Bajau of Malaysia, these images alert us to the direct link between what we eat, our well- being and the preservation of our world.

Matthieu is based in Arrabida National Park, Portugal.

🇵🇹

Ayeem Khan a ordenhar um iaque. Campo de Verão de Muqur, casa de Er Ali Boi.

Trekking através do planalto de altitude das montanhas de Little Pamir (média 4200 metros), onde a comunidade afegã quirguize vive todo o ano, nas fronteiras da China, Tajiquistão e Paquistão.

🇬🇧

Ayeem Khan milking a yak.
Summer camp of Muqur, Er Ali Boi’s place.

Trekking through the high altitude plateau of the Little Pamir mountains (average 4200 meters) , where the Afghan Kyrgyz community live all year, on the borders of China, Tajikistan and Pakistan.

🇵🇹

Carne de baleia assassina, baleia narval, foca barbuda e foca. Bent Igniatiussen está a receber comida para a sua família, bem como para os seus cães de trenó, numa caixa de madeira colocada à beira do povoado. Vida no pequeno povoado inuíte de Isortoq (população de 64 habitantes), na Gronelândia Oriental, e nos seus arredores.

🇬🇧

Carne de baleia assassina, baleia narval, foca barbuda e foca. Bent Igniatiussen está a receber comida para a sua família, bem como para os seus cães de trenó, numa caixa de madeira colocada à beira do povoado. Vida no pequeno povoado inuíte de Isortoq (população de 64 habitantes), na Gronelândia Oriental, e nos seus arredores.

🇵🇹

Caça à foca num caiaque com o caçador Magnus Eraksen. Vida no pequeno povoado inuíte de Isortoq (população de 64 habitantes), na Gronelândia Oriental, e arredores.

🇬🇧

Going seal hunting on a kayak with hunter Magnus Eraksen. Life in and around the small Inuit settlement of Isortoq (population of 64), in East Greenland.

🇵🇹

Na casa do caçador Salomon, uma cabeça de urso polar é colocada a descongelar. Vida dentro e à volta do povoado inuíte de Tasiilaq (população de 2000), na Gronelândia Oriental.

🇬🇧

At the home of hunter Salomon, a head of Polar Bear is set out to defrost. Life in and around the Inuit settlement of Tasiilaq (population of 2000), in East Greenland.

🇵🇹

Apanha de polvo. Pescador chamado Tarumpit que pesca com uma canoa duggout ao largo da ilha de Boheydulang.

🇬🇧

Catching octopus. Fisherman named Tarumpit fishing with duggout canoe off Boheydulang island.

🇵🇹

Alpaida a visitar casas de palafitas. A família Bajau vive todo o ano numa Lepa, uma casa flutuante tradicional. Ao largo da ilha de Maiga.

🇬🇧

Alpaida visiting stilt houses. Bajau family living all year round on a Lepa, a traditional houseboat. Off Maiga island.

🇵🇹

As mulheres vão todos os dias buscar lenha (para cozinhar e aquecer) e feno (para os animais) em Zor Abad, um pasto de Inverno a duas horas a pé da aldeia de Hunssaini, do outro lado do leito do vale do Hunza. Região do Gojal.

🇬🇧

Women go every day to get wood (for cooking and heating) and hay (for animals) in Zor Abad, a winter pasture two hour walk from Hunssaini village, across the Hunza valley riverbed. Gojal region.

🇵🇹

Rubina Ismail e Yahyah Naig, a casa de Yahyah Baig. Depena e cozinha patos. Fevereiro é época de caça aos patos, uma vez que os animais migratórios regressam gordos da Índia, no seu regresso à Sibéria. Em Shimshal, uma das aldeias mais remotas das montanhas Karakoram, e o povoado mais alto da região de Hunza e Gojal.

🇬🇧

Rubina Ismail and Yahyah Naig, tt the house of Yahyah Baig. Plucking, and cooking ducks. February is hunting duck season, as the migratory animals return fat from India, on their way back to Siberia. In Shimshal, one of the remotest village in the Karakoram mountains, and the highest settlement in the Hunza and Gojal region.

🇵🇹

Grande almoço de sábado com a família Moschonas. Dentro e nos arredores da aldeia de Meronas.

🇬🇧

Big lunch on saturday with the Moschonas family. In and around the village of Meronas.

🇵🇹

Homens a caçar de um cume acima do vale do Yaeda. No acampamento de Hadza, em Dedauko.

🇬🇧

Men hunting from a ridge above the Yaeda valley. At the Hadza camp of Dedauko.

FotoEvidence

🇵🇹

A FotoEvidence Press foi fundada em 2010 pela fotojornalista búlgara Svetlana Bachevanova e David Stuart para continuar a tradição de usar a fotografia para chamar a atenção para violações dos direitos humanos, injustiça, opressão e agressões à dignidade humana onde quer que estas ocorram. As fotografias não apenas mudaram a percepção das pessoas, mas, em alguns casos, alteraram o curso da história.

Em 2019, comemoram 10 anos de existência e prepararam uma exposição comemorativa dos trabalhos desenvolvidos ao longo destes anos. É com muita honra que o National Geographic Exodus Aveiro Fest, acolhe esta exposição, tornando-se no produtor e responsável nacional por esta exposição, ao abrigo do Exodus Causes.

A FotoEvidence trabalha na interseção de fotografia e direitos humanos. As imagens por si só não mudarão o mundo, mas as fotografias podem fornecer evidências incontestáveis e histórias humanas que servem para tornar as questões mais salientes e inspirar respostas. Para esse fim, a FotoEvidence fez parceria em projetos como o Pulitzer Center on Crisis Reporting, Human Rights Watch, Amnestia Internacional e o The Open Society Foundation, entre outros.

Em três casos, a FotoEvidence viu os seus livros de fotografia a promover influência direta nos governos e iniciar um processo de mudança social.

Durante oito anos, o FotoEvidence Book Award reconheceu fotógrafos cujos. trabalhos demonstram coragem e compromisso na procura pela justiça social e, em 2017, fez parceria com a World Press Photo. O prémio do livro é agora o FotoEvidence Book Award pela World Press Photo. Estes projectos selecionados são publicados pela FotoEvidence como parte de uma série de livros fotográficos que transmitem verdades dolorosas, criando consciência e intolerância relativamente às violações da dignidade humana.

Até hoje, a FotoEvidence publicou 22 livros. Vários desses livros chegaram às listas dos “melhores livros de fotografia do ano” no TIME, The New York Times, Smithsonian Magazine, Mother Jones, Vogue e Photo-eye.

Mais informações sobre a FotoEvidence em: http://www.fotoevidence.com/

🇬🇧

FotoEvidence Press was founded in 2010 by Bulgarian photojournalist Svetlana Bachevanova and David Stuart to continue the tradition of using photography to draw attention to human rights violations, injustice, oppression and attacks on human dignity wherever they occur. The photographs have not only changed people’s perceptions, but in some cases have changed the course of history.

In 2019, they commemorate 10 years of existence and have prepared a commemorative exhibition of the work done over the years. It is with great honour that the National Geographic Exodus Aveiro Fest hosts this exhibition, becoming the producer and national responsible for this exhibition, under the Exodus Causes.

FotoEvidence works in the intersection of photography and human rights. The images by themselves will not change the world, but the photographs can provide incontestable evidence and human stories that serve to make the questions more prominent and inspire answers. To this end, FotoEvidence has partnered on projects such as the Pulitzer Center on Crisis Reporting, Human Rights Watch, Amnestia International, and The Open Society Foundation, among others.

In three cases, FotoEvidence has seen its photography books promote direct influence in governments and initiate a process of social change.

For eight years, FotoEvidence Book Award has recognized photographers whose work demonstrates courage and commitment to the pursuit of social justice and, in 2017, partnered with World Press Photo. The book’s award is now the FotoEvidence Book Award by World Press Photo. These selected projects are published by FotoEvidence as part of a series of photographic books that convey painful truths, creating awareness and intolerance towards violations of human dignity.

To date, FotoEvidence has published 22 books. Several of these books have made it to the lists of “best photography books of the year” in TIME, The New York Times, Smithsonian Magazine, Mother Jones, Vogue and Photo-eye.

More information about FotoEvidence at: http://www.fotoevidence.com/

© Andrea Star Reese

🇵🇹

Chuck lê à luz de uma grelha na calçada enquanto espera pelo seu companheiro.

🇬🇧

Chuck reads in the light of a sidewalk grate while he waits for his companion

© Fabio Bucciarelli

🇵🇹

Uma família síria chora de alegria depois de alcançar, num barco de borracha da Turquia, a aldeia de Skala Sykaminias localizada na ilha de Lesbos, no nordeste da Grécia, no dia 10 de outubro de 2015. Milhares de refugiados, a maioria provenientes da Síria, Iraque e Afeganistão, atravessam todos os dias o mar Egeu a partir da Turquia para chegar à Europa: uma viagem relativamente curta mas extremamente perigosa. De acordo com a Agência das Nações Unidas para os Refugiados, mais de 850 000 chegadas por via marítima foram registadas na Grécia em 2015.

🇬🇧

A Syrian family weeps tears of joy after reaching, on a rubber boat from Turkey, the village of Skala Sykaminias located on the northeastern Greek island of Lesbos, on October 10, 2015. Thousand of refugees, mostly coming from Syria, Iraq and Afghanistan, cross everyday the Aegean sea from Turkey to reach Europe: a relatively short but extremely perilous journey. According to the UN Refugee Agency, more than 850 000 arrivals by sea were registered in Greece in 2015.

© Tanya Habjouqa

🇵🇹

Hayat Abu R’maes, de 25 anos, e Nabila Albo, de 39 anos, tiram estudantes de uma caminhada natural para ioga em Zatara, nos arredores de Belém. Às vezes eles vão a lugares da natureza (um local popular com ruínas romanas) que colonos tentam intimidar os palestinos a não visitarem. Eles chamam isso de “resistência interna”.

🇬🇧

Hayat Abu R’maes, 25, and Nabila Albo, 39, take students out on a nature walk for yoga in Zatara, on the outskirts of Bethlehem. Sometimes they go to nature spots (one popular spot with Roman ruins) that settlers try to intimidate Palestinians from accessing. They call it “inner resistance”. 

© Majid Saeedi

🇵🇹

Um menino ferido está a descansar enquanto uma das suas mãos artificiais está pendurada na parede.

🇬🇧

An injured boys is resting while one of his artificial hands is hanging on the wall.

© Anahit Hayrapetyan

🇵🇹

Maro tem sido constantemente sujeita à violência do seu marido, que é viciado em jogos de azar e não tem emprego. De acordo com as autoridades, Maro cometeu suicídio por enforcamento.

🇬🇧

Maro has been constantly subjected to violence by her husband, who is addicted to gambling and doesn’t have a job. According to officials Maro committed suicide by hanging herself from the ceiling.

© Patrick Brown

🇵🇹

Noor Haba. 11 anos de idade carrega os pertences da família depois do barco que ela viajou chegar à Praia de Shamlapur às 08:43 da manhã. 

Zarpou com a sua família e um grupo de 25 outros refugiados Rohingya, 4 da manhã do Estado de Rakhine, em Myanmar, chegando à praia Shamlapur no Bangladeche depois de viajar 5 horas em águas abertas da Baía de Bengala, alguns com nada mais que a camisa nas costas. Um número sem precedentes de 430 mil refugiados Rohingya, mais de 240 mil delas crianças, fugiram do estado de Rakhine em Myanmar para o distrito de Cox’s Bazar, no Bangladeche.

Os menores representam pelo menos 60% dos 430 mil Rohingya que atravessaram a fronteira com o Bangladeche nas últimas semanas. Altamente traumatizadas, estão a chegar desnutridas e feridas depois de caminharem durante dias para a segurança do Bangladeche.

As crianças que chegam aos campos sofreram longas e perigosas viagens. Muitas testemunharam violência e perderam membros da família.

🇬🇧

Noor Haba. 11 years old  carries family belonging to the beach after the boat she traveled in landed at Shamlapur Beach at 08:43 am in the morning. 

She set sail with her family and group of 25 other Rohingya refugees 4 am from Rakhine State, in Myanmar arriving at Shamlapur beach in Bangladesh after traveling 5 hours in open waters of the Bay of Bengal, some with nothing more than their shirt on their backs. An unprecedented 430,000 Rohingya refugees, over 240,000 of them children, have fled Rakhine State in Myanmar into Cox’s Bazar district of Bangladesh.

Minors make up at least 60 per cent of the 430,000 Rohingya who have crossed the border to Bangladesh over the past few weeks. Highly traumatised, they are arriving malnourished and injured after walking for days to the safety of Bangladesh.

Children arriving in the camps have endured long and dangerous journeys. Many have witnessed violence and lost family members.

An unprecedented 430,000 Rohingya refugees, over 240,000 of them children, have fled Rakhine State in Myanmar into Cox’s Bazar district of Bangladesh.  

© Josue Rivas

🇵🇹

Carregador de tubos. Oceti Sakowin Camp, Cannon Ball, ND, EUA. Dezembro 2016

🇬🇧

Pipe carrier. Oceti Sakowin Camp, Cannon Ball, ND, USA. December 2016

© Danielle Villasana

🇵🇹

Como em muitos outros países do mundo, há um estereótipo no Peru de que as mulheres transexuais só são capazes de trabalhar como cabeleireiras ou profissionais do sexo. Por causa da alta competição pelo trabalho em salões de beleza e da necessidade de pagar os estudos, muitas transexuais são remetidas para a prostituição. Aqui Camila, à esquerda, sai de um táxi depois de uma longa noite de dança.

🇬🇧

Like many other countries worldwide, there is a stereotype in Peru that trans women are only capable of working as hairdressers or sex workers. Because of high competition for salon work and the need to pay for studies, many trans women are relegated to prostitution. Here Camila, left, gets out of a taxi after a long night of dancing.

© Marcus Bleasdale

🇵🇹

Um membro da população cristã perto de PK13, nos arredores de Bangui, passa por casas roubadas e incendiadas dos muçulmanos que fugiram depois que o presidente da Seleka, Michel Djotodia, se demitir e deixar o país em desordem.

🇬🇧

A member of the Christian population around PK13 on the outskirts of Bangui runs through looted and burning homes of the Muslims who have fled after the Seleka President Michel Djotodia resigned and left the country in disarray.

🇵🇹

Da esquerda para a direita:

  1. Este é Mike Pinay, que frequentou a Escola Residencial Indígena Qu’Appelle de 1953 a 1963. “Foram os piores dez anos da minha vida. Eu estive longe da minha família dos 6 aos 16 anos. Como é que se aprende sobre relacionamentos, como é que se aprende sobre família? Eu não sabia o que era amor. Nós nem sequer éramos conhecidos por nomes naquela época, eu era um número.” “Lembra-se do seu número? “73.”
  2. Esta é a Valerie Ewenin, que frequentou a Escola Residencial Indígena Muskowekwan de 1965 a 1971. “Fui criada a acreditar nos caminhos da natureza, a queimar erva-doce, a falar Cree. E depois fui para a escola residencial e tudo isso me foi tirado. Mais tarde, esqueci-me também, e isso foi ainda pior”. Em todo o Canadá, era um procedimento padrão para os professores, sacerdotes, freiras e administradores que dirigiam as escolas residenciais para punir os alunos por falarem as suas próprias línguas ou tentarem praticar a sua própria fé. Para as crianças indígenas que eram tiradas das suas famílias com apenas 3 ou 4 anos e às vezes não conseguiam ver suas famílias novamente por mais de uma década, isso significava uma completa dissociação forçada das suas próprias culturas e identidades. Imagine finalmente voltar para a sua reserva aos 14 anos de idade e perceber que não consegue comunicar com os seus pais porque eles só falam Dene e você só fala inglês. Isso aconteceu com milhares e milhares de crianças das Primeiras Nações.
  3. Este é o Rick Pelletier, que frequentou a Escola Residencial Indígena Qu’Appelle de 1965 a 1966. Ele tinha 7 anos de idade. Foi espancado tão gravemente – tanto pelas freiras como por estudantes mais velhos que se tinham sido submetidos a violência física extrema – que quando os seus pais foram para levá-lo de volta para o seu segundo ano, ele fugiu. Mais tarde, os seus pais matricularam-no numa escola pública local em Regina, mas a experiência foi igualmente má. Ser um dos únicos estudantes das Primeiras Nações na escola significava que ele era o objeto de bullying e racismo. “Eu ainda não sei o que era pior.”

🇬🇧

From left to right:

  1. This is Mike Pinay, who attended the Qu’Appelle Indian Residential School from 1953-1963. “It was the worst ten years of my life. I was away from my family from the age of 6 to 16. How do you learn about relationships, how do you learn about family? I didn’t know what love was. We weren’t even known by names back then, I was a number.” “Do you remember your number?” “73.”
  2. This is Valerie Ewenin, who went to Muskowekwan Indian Residential School from 1965-1971. “I was brought up believing in the nature ways, burning sweetgrass, speaking Cree. And then I went to residential school and all that was taken away from me. And then later on I forgot it, too, and that was even worse.” Throughout Canada, it was standard procedure for the teachers, priests, nuns, and administrators who ran residential schools to punish students for speaking their own languages or trying to practice their own faith. For indigenous children who were taken away from their families as young as 3 or 4 and sometimes wouldn’t get to see their families again for as long as a decade, that meant a complete forced disassociation from their own cultures and identities. Imagine finally getting home to your reserve as a 14-year-old and realizing you can’t communicate with your parents anymore because they only speak Dene and you only speak English. That happened to thousands and thousands of First Nations children.
  3. This is Rick Pelletier, who attended the Qu’Appelle Indian Residential School from 1965-1966. He was 7 years old. He was being beaten so badly — both by the nuns and by older students who themselves had been subjected to extreme physical violence — that when his parents went to take him back for his second year, he ran away. Later, his parents enrolled him at a local public school in Regina, but the experience was just as bad. Being one of the only First Nations students at school meant he was the object of bullying and racism. “I still don’t know which was worse.”

Daniel Berehulak

🇵🇹

Estão a matar-nos como animais

O trabalho de Daniel Berehulak, assombroso, fascinante e exclusivamente abrangente e imersivo sobre a repressão assassina às drogas do presidente Rodrigo Duterte nas Filipinas. Até dezembro de 2016, mais de 2.000 pessoas haviam sido mortas a tiro pela polícia. Muitos outros morreram quando os manifestantes tomaram a sério o apelo de Duterte para “matá-los a todos”. Berehulak foi para Manila durante cinco semanas no outono de 2016. Trabalhou com um repórter local e começou a maior parte das noites às 21h na esquadra principal da polícia, correndo para os campos de matança: 41 cenas de crime com 57 mortos. Mas Berehulak foi muito além dos corpos, passou horas com as famílias para desenterrar histórias e contradições nas versões contadas pela polícia, e catalogando prisões lotadas e funerais arrasadores. Em dezembro de 2016, o New York Times publicou “They Are Slaughtering Us Like Animals”. Os leitores de todo o mundo ficaram horrorizados.

🇬🇧

They are slaughtering us like animals

Daniel Berehulak’s haunting, riveting and uniquely comprehensive and immersive work on President Rodrigo Duterte’s murderous drug crackdown in the Philippines. By December 2016, more than 2,000 people had been shot dead by the police. Many others died as vigilantes took to heart Duterte’s call to “slaughter them all.” Berehulak went to Manila for five weeks in the fall of 2016. Working with a local reporter, he started most nights at 9pm at the main police station, racing to killing fields: 41 crime scenes with 57 fatalities. But Berehulak went far beyond the bodies, spending hours with families to unearth back stories and contradictions in police accounts, and cataloging overcrowded jails and wrenching funerals. In December of 2016 The New York Times published “They Are Slaughtering Us Like Animals.” Readers worldwide were horrified.

🇵🇹

MANILA, FILIPINAS – 1 DE OUTUBRO

Cena de crime onde os investigadores da polícia judiciária examinam o corpo de um homem, vítima de execução, encontrado abandonado na berma da estrada com as mãos atadas às costas e a cabeça envolvida em fita adesiva, em Sampaloc, a 1 de Outubro de 2016, em Manila, Filipinas. Foi encontrado um pedaço de papel preso à volta do pescoço da vítima com uma mensagem: “Tulak na ayaw magpapigil, buhay ay titigil (Um traficante que não pára terá a sua vida terminada”). Tais mensagens são frequentemente encontradas anexadas aos corpos das pessoas mortas em execuções, assassinatos não oficiais com os quais o governo afirma não terem nada a ver. São uma advertência, deixada por supostos vigilantes, para que se crie medo naqueles que usam ou vendem drogas.
Foto de Daniel Berehulak para o The New York Times

🇬🇧

MANILA, PHILIPPINES – OCTOBER 1

Scene of the crime police investigators, SOCO, examine the body of a man, a summary execution victim, found dumped on the side of the road with his hands tied around his back and his head wrapped in packaging tape, in Sampaloc on October 1, 2016 in Manila, Philippines. A piece of paper was found attached around the victim’s neck with a message: “Tulak na ayaw magpapigil, buhay ay titigil (A pusher who won’t stop will have his life ended).” Such messages are often found attached to the bodies of those killed in summary executions, unofficial murders that the government claims they have nothing to do with. They are a warning, left by supposed vigilantes, to strike fear into those who would use or sell drugs.
Photo by Daniel Berehulak for The New York Times

🇵🇹

MANILA, FILIPINAS – OUTUBRO 02

Roel Scott, 13 anos, senta-se diante de velas acesas no local ensanguentado onde o seu tio, Joselito Rufino Jumaquio, 52 anos, foi morto naquela noite, na madrugada de 02 de outubro de 2016, em Manila, Filipinas. De acordo com os vizinhos, às 21h, pelo menos 15 polícias não identificados, vestidos à paisana e com máscaras, desceram rápida e silenciosamente sobre a comunidade ferroviária vizinha. Roel, 13 anos, sobrinho de Joselito, jogava videojogos com o seu tio numa pequena barraca quando os homens agarraram o seu tio e o algemaram. Arrastaram o impotente condutor de requixó em direcção à ruela atrás da barraca e gritaram aos residentes para voltarem para as suas casas e apagarem as luzes. Os moradores então só relataram o que ouviram. A voz de uma mulher gritou “Ele está a lutar”, ou Nanlaban, um termo usado em muitos relatórios da polícia para justificar o uso de força letal. Dois tiros soaram – depois mais quatro. Depois que o grupo saiu, os vizinhos descobriram o corpo ensanguentado de Joselito, uma arma colocada ao lado das suas mãos algemadas e um saco de plástico branco com metanfetamina. Segundo a polícia, esta foi uma operação de compra legítima onde o alvo algemado sacou uma arma calibre 38 e depois, “percebendo que a sua vida estava em perigo, o policia foi obrigado a disparar de volta para proteger a sua vida contra o agressor armado”. Depois dos homens saírem, encontraram Joselito algemado e encontraram o seu corpo com uma arma e um saco plástico branco cheio de narcóticos colocado no seu cadáver. Elisa, esposa de Joselito, chegou ao local e começou a confrontar a polícia quando soube da notícia. A família e os amigos tentaram detê-la, mas ela continuou. Uma multidão furiosa de moradores reuniu-se e começou a gritar para a polícia: “Malditos sejam”, gritaram, citando as inúmeras vezes em que os presos foram mortos, alegando que estavam a ripostar. “Não têm piedade. Nós somos pobres e estamos sozinhos. Esperamos poder encontrar aliados.”

🇬🇧

MANILA, PHILIPPINES – OCTOBER 02

Roel Scott, 13, sits in front of candles lit on the bloodied spot where his uncle, Joselito Rufino Jumaquio, 52, was killed earlier that evening, in the early hours of October 02, 2016 in Manila, Philippines. According to neighbors, at 9pm, at least 15 unidentified plain clothed police wearing masks, descended over the close railway side community quickly and silently. Roel, 13, Joselito’s nephew, was playing a videogame with his uncle in small stall when the men grabbed his uncle and handcuffed him. They dragged the powerless pedicab driver towards the alleyway behind the stall and shouted at residents still gathered to go back into their homes and to turn their lights off. The residents then only reported what they heard. A woman’s voice shouted “He’s fighting it out,” or Nanlaban, a term used in many police reports to justify the use of lethal force. Two shots rang out – then 4 more. After the group left, neighbors discovered Joselito’s bloodied body, a gun placed next to his handcuffed hands and a white plastic bag with methamphetamine. According to police, this was a legitimate buy bust operation where the handcuffed target drew a .38 calibre handgun and then, “Sensing that his life was in serious danger, the lawman was constrained to fire back in order to protect his life against the armed aggressor.” After the men left they found Joselito handcuffed and found his body with a gun was placed next to him and a white plastic bag full of narcotics placed on his dead body. Elisa, Joselito’s wife, arrived at the scene and started to confront police when she found out the news. Family and friends tried to restrain her but she continued. An angry crowd of residents gathered and started shouting at the police.”We curse you,” they yelled, citing the countless times those arrested have been killed on the grounds that they were fighting back. “You have no pity. We are poor, and we are alone. We hope we can find allies.”

🇵🇹

MANILA, FILIPINAS – OUTUBRO 02

Cena de crime onde os investigadores da polícia judiciária conduzem a investigação do corpo de Michael Araja, 29 anos, um suposto consumidor de drogas, deitado em frente ao “sari sari”, uma loja de conveniência local, depois de ter sido baleado na rua por homens não-identificados num assassinato “riding-in-tandem”, na madrugada de 02 de outubro de 2016, em Manila, Filipinas. Segundo os vizinhos, dois homens não identificados numa mota, pararam quando o Sr. Araja deixara a sua casa para comprar cigarros e uma bebida para a sua esposa, e mataram-no a tiros quando ele estava em frente à loja de conveniência. Este tipo de assassinato cometido por dois homens numa mota, é comumente chamado de “riding-in-tandem”. Foto de Daniel Berehulak para o The New York Times

🇬🇧

MANILA, PHILIPPINES – OCTOBER 02

Scene of The Crime polie investigators, SOCO, conduct their investigation as the body of Michael Araja, 29, an alleged drug user lays in front of “sari sari” a local convenience store, after being gunned down in the street by unidentied men in a “riding-in- tandem” killing in the early hours of October 02, 2016 in Manila, Philippines. According to neighbors, two unidentified men on a motorcycle, stopped as Mr Araja, had left his home to buy cigarettes and a drink for his wife, and gunned him down as he stood in front of his local convenience store. This type of murder perpetrated two peope on a motobike, is commonly referred to as a “riding-in-tandem” killing.
Photo by Daniel Berehulak for The New York Times

🇵🇹

MANILA, FILIPINAS – OUTUBRO 09

Jimji, 6 anos, chora de angústia enquanto grita “papa” diante dos agentes funerários que movimentam o corpo do seu pai, Jimboy Bolasa, 25 anos, (pai de dois) do velório no início do funeral, para o cemitério de Navotas no dia 9 de outubro de 2016 em Manila, Filipinas. Na noite de 20 de setembro foram encontrados assassinados tanto Aljon Deparine, 23 anos, como o vizinho e amigo Jimboy Bolasa, 25 anos. A polícia afirma que os rapazes eram supostos traficantes de drogas. De acordo com membros da família, eles renderam-se, por volta das 17h30, homens não identificados arrastaram à força os dois rapazes das suas casas, colocaram-nos entre os motociclistas e raptaram- nos. Menos de uma hora depois, os seus corpos espancados, com sinais de tortura e ferimentos de bala, foram despejados debaixo de uma ponte próxima. Uma semana depois, o irmão de Aljon, Danilo, também foi encontrado executado e o seu corpo atirado para debaixo de uma ponte próxima.
Foto de Daniel Berehulak para o The New York Times

🇬🇧

MANILA, PHILIPPINES – OCTOBER 09

Jimji, 6, cries in anguish as she screams “papa” before funeral parlour workers, move the body of her father, Jimboy Bolasa, 25, (father of two) from the wake at the start of the funeral to Navotas cemetery on October 9, 2016 in Manila, Philippines. On the evening of the 20th of September both Aljon Deparine, 23 and neighbor and friend Jimboy Bolasa, 25, were found murdered. The police claim the boys were alleged drug dealers. According to family members, they were surrenderee’s, around 5.30pm unidentified men forcefully dragged the two boys from their homes, put them in between riders on motorbikes and abducted them. Less than an hour later, their beaten bodies, with signs of torture and gunshot wounds were dumped under a nearby bridge. One week later Aljon’s brother Danilo was also found executed and his body dumped under a nearby bridge. Photo by Daniel Berehulak for The New York Times

🇵🇹

MANILA, FILIPINAS – OUTUBRO 11

Chuva torrencial enquanto a policia faz uma investigação num beco onde a vítima, Romeo Joel Torres Fontanilla, 37 anos, foi morta por dois atiradores não identificados que andavam de mota na manhã de terça-feira, 11 de outubro de 2016, em Manila, Filipinas.
Foto de Daniel Berehulak para o The New York Times

🇬🇧

MANILA, PHILIPPINES – OCTOBER 11

Heavy rain pours as SOCO Police, Scene of the Crime Operatives, investigate inside an alley where victim, Romeo Joel Torres Fontanilla, 37, was killed by 2 unidentified gunmen riding motorcycles early Tuesday morning on October 11, 2016 in Manila, Philippines.
Photo by Daniel Berehulak for The New York Times

🇵🇹

MANILA, FILIPINAS – OUTUBRO 11

Funerárias movem o corpo de Danilo Deparine, 36, executado a 27 de setembro, numa funerária a 11 de outubro de 2016, em Manila, Filipinas. A família perdeu o seu filho mais novo, Aljon, no dia 20 de setembro de 2016, levado por um grupo de homens sem identificação, vestidos à paisana, com máscaras. O seu corpo foi mais tarde encontrado debaixo de uma ponte, morto, torturado, espancado e baleado várias vezes. A família teve que pagar 50.000 pesos para o funeral e para o velório, uma despesa enorme para uma família tão pobre. Uma semana depois, o seu filho mais velho, Danilo, também foi morto. A família, sem poder pagar pelo primeiro funeral, está a lutar para conseguir os 12.000 pesos necessários para um enterro rápido para Danilo. Se a família não conseguir arranjar o dinheiro dentro de 90 dias após a morte, não terá outra opção a não ser ter Danilo enterrado numa vala comum por um custo menor.

Foto de Daniel Berehulak para o The New York Times

🇬🇧

MANILA, PHILIPPINES – OCTOBER 11

Funeral parlour workers move the body of Danilo Deparine, 36, executed on September 27, in a funeral parlor on October 11, 2016 in Manila, Philippines. The family lost their youngest son, Aljon on the 20th of September, 2016 taken by a group of plain clothed unidentified men wearing masks. His body was later found under a bridge a short time later, dead, his body tortured, beaten and shot multiple times. The family had to pay 50,000 pesos to the funeral parlour for the funeral and wake, a huge expense for such a poor family. A week later their oldest son Danilo was also killed. The family, broke from paying for the first funeral is struggling to come up with the 12,000 pesos needed for a quick burial for Danilo. If the family can’t come up with the money within 90 days of the death, they will have no other option than to have Danilo buried as a mass burial for a lesser cost.
Photo by Daniel Berehulak for The New York Times

🇵🇹

MANILA, FILIPINAS – OUTUBRO 12

Família e amigos assistem ao funeral de Rufino Jumaquio, 52 anos, também conhecido como Joselito, morto por um grupo de homens não identificados e uma mulher em frente à casa da família, resistindo à prisão num suposto tiroteio, que os vizinhos negam, a 12 de outubro de 2016, em Manila, Filipinas. De acordo com os vizinhos, às 21h, pelo menos 15 polícias não identificados, vestidos à paisana e com máscaras, desceram rápida e silenciosamente sobre a comunidade ferroviária vizinha. Roel, 13 anos, sobrinho de Joselito, jogava videojogos com o seu tio numa pequena barraca quando os homens agarraram o seu tio e o algemaram. Arrastaram o impotente condutor de requixó em direcção à ruela atrás da barraca e gritaram aos residentes para voltarem para as suas casas e apagarem as luzes. Os moradores então relataram o que ouviram. A voz de uma mulher gritou “Ele está a lutar”, ou Nanlaban, um termo usado em muitos relatórios para justificar o uso de força letal. Dois tiros soaram – depois mais quatro. Depois que o grupo saiu, os vizinhos descobriram o corpo ensanguentado de Joselito, uma arma colocada ao lado das suas mãos algemadas e um saco de plástico branco com metanfetamina. Segundo a polícia, esta foi uma operação de compra legítima onde o alvo algemado sacou uma arma calibre 38 e depois, “percebendo que a sua vida estava em sério perigo, o policia foi obrigado a disparar de volta para proteger a sua vida contra o agressor armado”. Depois que os homens saíram, encontraram Joselito algemado e encontraram seu corpo com uma arma e um saco plástico branco cheio de narcóticos colocado no seu cadáver. Elisa, esposa de Joselito, chegou ao local e começou a confrontar a polícia quando soube da notícia. A família e os amigos tentaram detê-la, mas ela continuou. Uma multidão furiosa de moradores reuniu-se e começou a gritar para a polícia: “Malditos sejam”, gritaram, citando as inúmeras vezes em que os presos foram mortos, alegando que estavam a ripostar. “Não têm piedade. Nós somos pobres e estamos sozinhos. Esperamos poder encontrar aliados.”

🇬🇧

MANILA, PHILIPPINES – OCTOBER 12

Family and friends attend the funeral of Rufino Jumaquio, 52, also known as Joselito, killed by a group of unidentified men and one woman in front of the family home, resisting arrest in an alleged shoot out, which neighbours deny, on October 12, 2016 in Manila, Philippines. According to neighbors, at 9pm, at least 15 unidentified plain clothed police wearing masks, descended over the close railway side community quickly and silently. Roel, 13, Joselito’s nephew, was playing a videogame with his uncle in small stall when the men grabbed his uncle and handcuffed him. They dragged the powerless pedicab driver towards the alleyway behind the stall and shouted at residents still gathered to go back into their homes and to turn their lights off. The residents then only reported what they heard. A woman’s voice shouted “He’s fighting it out,” or Nanlaban, a term used in many police reports to justify the use of lethal force. Two shots rang out – then 4 more. After the group left, neighbors discovered Joselito’s bloodied body, a gun placed next to his handcuffed hands and a white plastic bag with methamphetamine. According to police, this was a legitimate buy bust operation where the handcuffed target drew a .38 calibre handgun and then, “Sensing that his life was in serious danger, the lawman was constrained to fire back in order to protect his life against the armed aggressor.” After the men left they found Joselito handcuffed and found his body with a gun was placed next to him and a white plastic bag full of narcotics placed on his dead body. Elisa, Joselito’s wife, arrived at the scene and started to confront police when she found out the news. Family and friends tried to restrain her but she continued. An angry crowd of residents gathered and started shouting at the police.”We curse you,” they yelled, citing the countless times those arrested have been killed on the grounds that they were fighting back. “You have no pity. We are poor, and we are alone. We hope we can find allies.”

🇵🇹

MANILA, FILIPINAS – OUTUBRO 16

Um homem que vive com a sua família numa tenda erguida no topo de uma lápide, alimenta os seus gêmeos de dois meses no Cemitério de Manila Norte, onde muitas vítimas da guerra do país contra as drogas são enterradas a 16 de outubro de 2016 em Manila, nas Filipinas.
Foto de Daniel Berehulak para o The New York Times

🇬🇧

MANILA, PHILIPPINES – OCTOBER 16

A man who lives with his family in a tent erected atop of a tombstone, feeds his two-month old twins at the Manila North Cemetery where many victims of country’s war on drugs are buried on October 16, 2016 in Manila, Philippines.
Photo by Daniel Berehulak for The New York Times

🇵🇹

MANILA, FILIPINAS – OUTUBRO 19

Os presos dormem num campo de basquetebol numa prisão sobrelotada onde os reclusos se revezam para dormir em qualquer espaço disponível na prisão de Quezon City, uma das prisões mais congestionadas do país, a 19 de outubro de 2016, em Quezon City, Filipinas. Há mais de 3.500 reclusos na cadeia que foi construída há seis décadas para abrigar 800 pessoas. Foto de Daniel Berehulak para o The New York Times

🇬🇧

UEZON CITY, PHILIPPINES – OCTOBER 19

Inmates sleep on a basketball court in an overcrowded prison where inmates take turns to sleep on any available spaces at Quezon City Jail, one of the country’s most congested jails on October 19, 2016 in Quezon City, Philippines. There are over 3,500 inmates at the jail, which was built six decades ago to house 800. Photo by Daniel Berehulak for The New York Times

🇵🇹

MANILA, FILIPINAS – 26 DE OUTUBRO

Os corpos de Erika Angel Fernandez, 17, e Jericho Camitan, 23, (invisível) deitados numa rua algumas horas depois de terem sido baleados por homens não identificados nas primeiras horas de 26 de outubro de 2016 na cidade de Quezon, nas Filipinas.

Foto de Daniel Berehulak para o The New York Times

🇬🇧

MANILA, PHILIPPINES – OCTOBER 26

The bodies Erika Angel Fernandez, 17, and Jericho Camitan, 23, (unseen )lay in an street a few hours after they were gunned down by masked unidentified men in the early hours of October 26, 2016 in Quezon City, Philippines.
Photo by Daniel Berehulak for The New York Times

Corey Rich

🇵🇹

Histórias atrás das imagens

Uma seleção de fotografias do livro de Corey Rich, “Stories Behind the Images”, a última tour dos bastidores de mais de 20 anos trabalhando como fotógrafo e cineasta de aventura. Apresentando histórias sobre a criação de imagens de alguns dos maiores nomes do mundo da aventura, este é um testemunho do que significa seguir a sua paixão.

🇬🇧

Stories behind images

A selection of photographs from Corey Rich’s book, “Stories Behind the Images,” the ultimate behind- the-scenes tour of 20+ years working as an adventure photographer and filmmaker. Featuring stories about creating images of some of the biggest names in the adventure world, this is a testament of what it means to follow your passion.

🇵🇹 🇬🇧

Craig Luebben
Lake Powell, Utah

 

16mm
F/8 @ 1/500
Kodak Ektachrome Film

🇵🇹 🇬🇧

Chris Sharma
Santa Cruz, California

 

70-200mm
F/4 @ 1/1000
Fuji Velvia Film

🇵🇹 🇬🇧

Mikey Wier
Heavenly Mountain Resort, Lake Tahoe, California

 

70–200mm
F/8 @ 1/2000

🇵🇹 🇬🇧

Bil Phillips
Tulum, Mexico

 

17-35mm
F/2.8 @ 1/30
Iso 800

🇵🇹 🇬🇧

David Lama And Daniel Steuerer
Patagonia, Argentina

 

17–35mm Lens
F/4 @ 1/125
Iso 400

🇵🇹 🇬🇧

Peter Ortner And David Lama
Trango Tower, Karakoram Range, Pakistan

 

17-35mm Lens
F/2.8 @ 1/15
Iso 800

🇵🇹 🇬🇧

Tommy Caldwell
Dawn Wall, El Capitan, Yosemite, California

 

50mm Lens
F/2.8 @ 1/4000
Iso 200

🇵🇹 🇬🇧

David Lama
Baatara Gorge, Lebanon

 

16mm Fisheye
F/3.2 @ 1/320
Iso 800

🇵🇹 🇬🇧

Rebecca Rusch
Moab, Utah

 

16mm Fisheye Lens
F/ 6.3 @ 1/250
Iso 200

🇵🇹 🇬🇧

Dane Jackson
Veracruz, Mexico

 

16mm Fisheye Lens
F/ 4 @ 1/800 Second
Iso 1250

Philip Lee Harvey

🇵🇹

Luz que viaja

Há poucos países que Philip Lee Harvey não visitou na sua qualidade de um dos principais fotógrafos de viagens do mundo, e há poucos editores e compradores de arte sem o seu nome nos seus contactos.

Tem sido uma revelação ver alguém pensar e trabalhar com luz, e no final captar a luz da maneira que Philip Lee Harvey faz. Outro aspecto do seu dom é que enquanto ele persegue o seu breve incansável pelos obstáculos, ele está sempre aberto e flexível quando está cara a cara com o seu eventual sujeito. Essa receptividade remete-nos a outro significado de “luz”, em que Filipe não é pesado pelo que ele traz para a filmagem.

Os trabalhos desta mostra traçam o desenvolvimento de Philip Lee Harvey como fotógrafo, fornecendo insights sobre a rica complexidade da relação entre o observado e o observador. Num momento de incerteza global, temos a sorte de ter um artista que é capaz de mostrar – em diferentes locais, condições, estações e horas do dia – a plenitude do nosso mundo diverso.

Permita que os retratos e paisagens que vês diante de ti tomem os seus efeitos, caiam com os diferentes ritmos que estas pessoas e lugares impõem. Pratique, como uma espécie de procedimento, a sua própria interpenetração sensorial com as sutilmente diferentes nuances de luz que cada imagem expressa. Porque isto também é um ofício, isto também é um contexto.

Mas procure também as afinidades, assim como as diferenças. Além da luz, outra semelhança que encontro nestas imagens é a resiliência do espírito humano, seja no trabalho físico, nos tempos livres com a família ou no êxtase religioso – ou simplesmente num só rosto em repouso.

🇬🇧

Travelling Light

There are few countries Philip Lee Harvey has not visited in his capacity as one of the world’s leading travel photographers, and there are few editors and art buyers without his name in their contact book.

It has been a revelation to see someone thinking about light, working with light, and in the end capturing light in the way that Philip Lee Harvey does. Another aspect of his gift is that while he pursues his brief undeterred by obstacles, he is always open and flexible when face to face with his eventual subject. That responsiveness delivers us to another meaning of ‘light’, in that Philip is not weighed down by what he brings to the shoot.

The works in this show trace Philip Lee Harvey’s development as a photographer, providing insights in the rich complexity of the relation between observed and observer. At a time of global uncertainty, we are lucky to have an artist who is able to show — in varying locations, conditions, seasons and times of day — the plenitude of our diverse world.

Allow the portraits and landscapes you see before you to take their effects, fall in with the different rhythms that these people and places compel. Practise, as a kind of procedure, your own sensory interpenetration with the subtly different nuances of light that each image expresses. For this also is a craft, this also is a context.

But look for the affinities, too, as well as the differences. Apart from light, another commonality I find in these images is the resilience of the human spirit, whether expressed in physical labour, in leisure time with the family, or in religious ecstasy — or simply in a single face in repose.

🇵🇹

Cascata Angel Falls, a mais alta do mundo a 979m, cai da montanha Auyantepui ao anoitecer no Parque Nacional de Canaima, Venezuela

🇬🇧

Angel Falls waterfall, the tallest in the world at 979m, falls from Auyantepui mountain at dusk in Canaima National Park, Venezuela

🇵🇹

Mercado de Djenne, Djenne, Mali, África Ocidental

🇬🇧

Djenne Market, Djenne, Mali, west Africa

🇵🇹

Ronda de manhã cedo, Região dos Lagos Patagónicos do Norte, Argentina, América do Sul

🇬🇧

Early morning round up, Northern Patagonian Lake District, Argentina, South America

🇵🇹

Campos de arroz, Camboja, Ásia

🇬🇧

Paddy fields, Cambodia, Asia

🇵🇹

Retrato de um mergulhador de areia, Rio Níger, Mali, África Ocidental

🇬🇧

Portrait of a sand diver, Niger River, Mali, West Africa

🇵🇹

Yellow Mountains, China

🇬🇧

Yellow Mountains, China

🇵🇹

Retrato de um jovem monge, Ladakh, Índia

🇬🇧

Portrait of a young monk, Ladakh, India

🇵🇹

Um pastor Maasai com as suas cabras, Quénia, África.

🇬🇧

A Maasai herder with his goats, Kenya, Africa

🇵🇹

Retrato de um dançarino usando uma máscara de elefante, Camarões, África Ocidental.

🇬🇧

Portrait of a dancer wearing an Elephant mask, Cameroon, West Africa

🇵🇹

Rapariga em scooter na Mesquita Hassan II de Casablanca, Marrocos. África

🇬🇧

Girl on scooter at The Hassan II Mosque Casablanca, Morocco. Africa

William Albert Allard

🇵🇹

“DECLARAÇÃO DO ARTISTA PARA “GONE WEST 1966-2005 FOTOGRAFIAS DE WILLIAM ALBERT ALLARD”

A partir do final dos anos 60, apaixonei-me estética e emocionalmente pelo Ocidente americano. Durante toda a década de 70 procurei por aí assuntos sobre os quais pudesse fotografar e talvez escrever. Trabalhei também no estrangeiro, mas o Ocidente continuava a atrair-me pela sua vastidão, clareza e luz; pelo seu povo. Seria justo dizer que a minha atracção inicial pelo Ocidente se centrava em dois temas: o cowboy americano em Montana, Nevada, Texas e Wyoming, onde sempre estiveram os bons, e os Hutterites de Montana. A minha atracção pelo tema do cowboy baseia-se provavelmente na sua aparente, embora discutível independência, na capacidade de simplesmente seguir em frente quando parece ser a coisa a fazer, e no desejo de fazer as coisas como deve ser. Isso e o apreço do cowboy por um chapéu de boa qualidade. Nenhum cowboy bom usa um chapéu mau e eu sempre fui um homem de chapéu. 

A minha relação com os Hutteritas, esses fanáticos do velho mundo que se vestem de anabaptistas que vivem vidas aparentemente restritas nas suas colónias, remonta a 1969.  Há alguns entre eles que eu considero como uma segunda família. Deram-me consolo quando eu precisei. Estou em casa com eles.  

Um dia de Verão, em 69, eu estava a cavalgar com um rapaz Hutterite de dezassete anos. Não tinha chovido durante semanas e, apesar de termos caminhado com os nossos cavalos, o sol trouxe suor ao seu garrote.  O rapaz, filho de um pastor da colónia Surprise Creek, perto de Stanford, Montana, disse-me que se pode dizer que é realmente seco quando um único cavaleiro pode dar um pontapé num rasto de pó. Nós parámos num riacho. A água que bebemos tinha descido das montanhas, e estava fresca e com sabor a terra. No forte calor do meio-dia bebemos descuidadamente, salpicando a cara até que as nossas frentes de camisa ficaram molhadas e as gotas que caíam faziam bolhas no pó.

“Alguma vez te apetece ir embora?” perguntei eu.

“O que quer dizer?”, disse ele.

“Sabes se alguma vez tens vontade de deixar a colónia?”

“Não”, disse ele.  “Eu nunca senti tentação de sair daqui. Deve ser uma vida bastante dura no exterior, sozinha, a tentar ganhar a vida. Não acha?”

Deixamos os cavalos beber e depois continuamos a cavalgar.

“Sim”, disse-lhe eu. “Pode ser tudo isso.”

Desde essa inocente troca, passei grande parte da minha vida a viajar pelo mundo. Já vi muitos lugares maravilhosos e conheci algumas pessoas extraordinárias. Mas o Ocidente americano nunca me deixou. Mesmo agora, continua a atrair-me de volta. 

Conheci em tempos uma velha mão de vaca Montana, agora morta, que costumava pensar nos tempos em que aquele país era mais aberto, com menos cercas e portões para atrasar um homem – restrições na terra dos livres. Suponho que hoje todos nos sentimos mais restritos. Parece haver portões nas nossas vidas que nunca se abrem. Mas se tivermos sorte, encontramos um lugar que é especial para nós. Ainda que possa mudar com o tempo, se o amamos profundamente, há uma parte dele dentro de nós até ao fim. E é isso que eu sinto em relação ao Oeste Americano.

🇬🇧

ARTIST’S STATEMENT FOR “GONE WEST  1966-2005  THE PHOTOGRAPHS OF WILLIAM ALBERT ALLARD”

Beginning in the late 1960s I fell in love with the American West aesthetically and emotionally.  All through the 1970s I sought subjects out there that I could photograph and perhaps write about. I worked abroad as well, but the West kept drawing me to its vastness, its clarity and light; its people.  It would be fair to say that my early attraction out West focused on two subjects: the American cowboy in Montana, Nevada, Texas and Wyoming, where ever the good ones were, and the Hutterites of Montana.  My attraction to the subject of the cowboy is probably based on his apparent, although arguable independence, the ability to simply move on when it seems to be the thing to do, and the desire to do things right.  That and the cowboy’s appreciation for a good quality hat.  No good cowboy wears a bad hat and I’ve always been a hat man. 

My relationship with the Hutterites, those Anabaptists in old world dress living seemingly restricted lives on their colonies, goes back to 1969.  There are some among them that I consider like a second family. They have provided me with solace when I needed it. I am very much at home with them.  

One summer day back in ’69 I was riding with a seventeen-year-old Hutterite boy. There had been no rain for weeks, and though we walked our horses, the sun brought sweat to their withers.  The boy, a preacher’s son from Surprise Creek colony near Stanford, Montana, told me that you can tell it’s really dry when a single rider can kick up a dust trail.  We stopped at a stream.  The water we drank had come down from the mountains, and it was cool and tasted of the earth.  In the thick heat of midday we drank carelessly, splashing our faces until our shirtfronts hung wet and the falling droplets made pockmarks in the dust.

“Do you ever feel like going away?” I asked.

“What do you mean?” he said.

“You know—do you ever feel like leaving the colony?”

“No,” he said.  “I’ve never felt a temptation to leave here.  It must be a pretty rough life on the outside, all alone, trying to make a living.  Don’t you think?”

We let the horses drink and then rode on.

“Yes,” I told him.  “It can be all of that.”

 Since that innocent exchange, I’ve spent much of my life traveling around the world. I’ve seen a lot of wonderful places and I’ve met some extraordinary people.  But the American West has never left me. Even now it keeps drawing me back. 

I once knew an old Montana cow hand, now dead, who used to muse about times when that country was more open, with fewer fences and gates to slow a man down–restrictions in the land of the free.  I suppose we all feel more restricted today. There seem to be gates in our lives that we never get open.  But if we’re lucky, we find a place that’s special to us. Even though it may change with time, if we love it deeply enough, there is a part of it within us to the end. And that’s how I feel about the AmericanWest.

🇵🇹 🇬🇧

Texas, 1974

🇵🇹

T.J. Symonds com pão caseiro, Nevada, 1979

🇬🇧

T.J. Symonds with camp baked bread, Nevada, 1979

🇵🇹

Cavalo com redeas, Nevada, 1971

🇬🇧

Cattle drive, Nevada, 1971

🇵🇹

Tratador na altura do parto, Montana, 1975

🇬🇧

Cow horse at calving time, Montana, 1975

🇵🇹

Pastoreio de crias, Montana, 1972

🇬🇧

Calf branding, Montana, 1972

🇵🇹

Acosia Red Elk, princess indiana, Oregon, 1998

🇬🇧

Acosia Red Elk, Indian princess, Oregon, 1998

🇵🇹 🇬🇧

Brian Morris, Nevada, 1970

🇵🇹 🇬🇧

Montana, 1979

🇵🇹 🇬🇧

Rodeo, Arizona, 1998

🇵🇹 🇬🇧

Cloud 9 Bar, Elko, Nevada, 1979